terça-feira, 4 de agosto de 2015

Rede internacional quer aumentar a atuação em Pernambuco




A sul-africana Rose Molokoane, presidente da Slum Dwellers International (SDI), rede independente de entidades da sociedade civil que atua para criar cidades inclusivas e inserir a população urbana de baixa renda nas estratégias de desenvolvimento urbano, participou de reunião, nesta segunda-feira (3), na Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). O objetivo do encontro foi tratar sobre a ampliação da atuação da SDI em Pernambuco, além de potencializar a parceria com o Governo do Estado para multiplicar a metodologia de Investimento Integrado para Transformação (Poupança Comunitária) já utilizado no Território da Ilha de Deus.

Para Rose, a atuação da SDI no Recife é um caso de sucesso e servirá de exemplo para expandir o trabalho da entidade no resto do País. “O trabalho realizado na Ilha de Deus é muito bom e, agora que queremos aumentar nossa atuação no Brasil, é o caso que vamos apresentar em outros Estados. Também queremos ampliar o número de comunidades atendidas em Pernambuco e criar um fundo que possa ser utilizado pelos próprios moradores. Para isso, é preciso formalizar melhor a parceria com algum tipo de documento que fortaleça esta relação SDI Pernambuco”, afirmou a presidente.

O secretário executivo de Apoio aos Municípios da Seplag, Flávio Figueiredo, foi responsável por receber a comitiva da SDI. “Estamos totalmente dispostos a estreitar as relações com a SDI. Para isso, esperamos que eles proponham modelos de termos de compromisso ou de protocolos de intenção para que possamos analisar a melhor forma de institucionalizar uma parceria”, afirmou. O secretário ressaltou que uma nova reunião está agendada para a próxima sexta-feira (7). Estarão presentes, além da Seplag e da SDI, representantes das secretarias de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude e das Cidades e de outros municípios da Região Metropolitana.

Além de Rose, participaram do encontro desta segunda-feira Celine D’Cruz, diretora da entidade, e Fernanda Lima, diretora de projetos da Interação – Rede Internacional de Ação Comunitária, ONG brasileira representante da SDI na América Latina. A gerente de Articulação de Projetos da Seplag, Edna Claudino, e representantes da comunidade da Ilha de Deus também marcaram presença na reunião. A equipe da SDI fica em Recife até o próximo sábado (8).

Atuação - A SDI está presente em 33 países da África, Ásia e América Latina. No Brasil, a entidade atua apenas em Pernambuco e São Paulo. Em 2007, com o projeto de Investimento Integrado da Ilha de Deus, a rede implantou no local a metodologia de Poupança Comunitária, por entender que o cenário era convergente com práticas inovadoras de intervenção em comunidade em vulnerabilidade econômica e social. A iniciativa se estendeu até o bairro de Santo Amaro.

Todo trabalho é desenvolvido por mulheres da comunidade, que são capacitadas e acompanhadas para incentivar a poupança. No entanto, não é o ato de poupar que mais interessa ao SDI, mas o empoderamento dado aos cidadãos, já que todo o processo ajuda a construir vínculos e canais de trocas de experiências e fomento ao empreendedorismo. O grupo de mulheres, conhecidas como as “Poupadoras” foi amplamente capacitado e teve oportunidade de participar de várias missões nacionais e internacionais para troca de experiências.


Segundo Edna Claudino, responsável pelo projeto de Investimento Integrado da Ilha de Deus, a fuga do óbvio é o fator diferencial do trabalho desenvolvido pela SDI. “Eduardo Campos enxergou, quando criou o projeto da Ilha de Deus, que não era só com obras de infraestrutura que se mudaria a realidade de uma comunidade tão vulnerável. É preciso empoderar a população e, por isso, ele colocou todas as secretarias para atuar na Ilha de Deus. O SDI também trabalha enxergando além das obras de pedra e cal. A Poupança Comunitária gera conscientização da população e as reuniões criam importantes fóruns de debate”, explicou a gerente.

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