segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pit bull que matou criança em Santos passa em teste do Dr. Pet

Tomara que o destino deste cão seja o melhor possível.

Adestrador Alexandre Rossi esteve na Cidade para conhecer e elaborar laudo sobre o animal

Alexandre Rossi, o Dr. Pet, esteve em Santos para fazer avaliação de Guga, pit bull de 5 anos

O cachorro da raça pit bull que atacou e matou uma criança de quase 2 anos em Santos, no último dia 30, poderá ser reinserido na sociedade. O animal passou por avaliação psicológica e a conclusão é do adestrador, criador de animais e zootecnista Alexandre Rossi, conhecido como Dr. Pet. O profissional  esteve em Santos para visitar o cão, de 5 anos, e realizar testes de comportamento e temperamento.

A morte da menina ocorreu em uma casa do Macuco. No momento do ataque, a criança estava com a mãe e o irmão, de apenas 6 meses, na residência alugada. De acordo com testemunhas, a mãe deu um suco para a criança,
que dirigiu-se ao quintal da casa com a bebida. Foi neste momento que a menina foi atacada pelo pit bull.

Durante os testes, o adestrador simulou algumas situações para medir o grau de ansiedade e agressividade do animal. "Ele passou em todos, inclusive nos (testes) ligados à obediência. Ele tem capacidade de aprender facilmente. (Mostrou que) consegue se controlar, controlar o impulso que tem, mesmo ao ser contrariado, ele mostrou um aprendizado. Vimos isso em um teste cognitivo (que foi realizado). Alguns cachorros não deixam pegar na cabeça para colocar a focinheira, mas conseguimos sem problema isso. Ele tentou tirar o acessório com as patas, mas em momento nenhum demonstrou agressividade", exemplifica.

No teste realizado com a presença de outras pessoas, o pit bull também se saiu bem. "Ele foi ótimo com a aproximação dos adultos. Ele se mostrou, nesse quesito, super bem sociabilizado. Sem agressividade nenhuma. É importante mostrar que esse cão não é um monstro e também merece nossa compreensão e respeito", afirma o especialista.

Na presença de outros cães e gatos, o pit bull mostrou interesse em se aproximar desses animais. "Não dá para saber se para atacar ou brincar. Pelo grande porte dele, mesmo em uma brincadeira pode machucar. Não dá para saber o motivo que ele se aproximou, depende muito do outro animal também".

Apesar da conclusão positiva com relação aos testes, Rossi alerta que o pit bull pode ser adotado, mas com certas restrições, tanto pelo histórico quanto pelo alto grau de ansiedade e força encontrado no animal.

"Esse cachorro pode sim, apesar do acidente, ser reinserido na sociedade. Ele não tem limites para algumas coisas, não está treinado para isso, mas precisa respeitar. Uma das coisas que ele faz é pular em cima das pessoas para brincar, mas ele acaba machucando, porque é forte. Ele precisa aprender que o corpo humano é sensível. Através de pequenos limites ele vai aprender a controlar essa ansiedade."

Prevenção
Dr. Pet reforça ainda a importância das pessoas saberem como lidar com cães de grande porte. Segundo ele, a prevenção é o primeiro ponto para que acidentes não aconteçam e animais de grande porte não devem ficar com uma criança sem supervisão.

Ataque do cão pit bull a uma criança de 2 anos ocorreu no quintal da residência alugada"Se a população em geral souber os tipos de acidentes que podem acontecer, ela vai se prevenir e tomar todos os cuidados. É preciso se precaver. Não é por que um cachorro é bonzinho com adultos que também será com crianças e com outros animais. Depende muito do temperamento do animal. As crianças são tão frágeis que até um cachorro menor pode machucar. Temos que tomar cuidado, independente da raça", afirma.

Ainda de acordo com o adestrador, é importante ressaltar que os cachorros não atacam apenas após terem um possível histórico de maus tratos ou de violência em geral. "Eles têm um componente agressivo, que faz parte da natureza desses animais. E a gente tem a obrigação, principalmente quando o cachorro é grande, de ensinar ele a se comportar na sociedade. não basta dar amor e carinho, é preciso ensinar a controlar alguns instintos mostrando o que é ou não permitido", explica.

Como exemplo, Rossi cita a necessidade de acostumar os cães, nos primeiros meses de vida, a ter contato com outras pessoas e ver crianças correndo e brincando. "Desde pequenos eles precisam saber que não podem ir para cima e aprender que não é caça (a criança)".

Não será sacrificado
O pit bull responsável pela morte da criança foi levado à Coordenadoria de Proteção à Vida Animal (Codevida), órgão de bem estar da vida animal. O cão, anteriormente batizado de Kadafi, agora se chama Guga. "Ele é maravilhoso. Temos esse costume de trocar os nomes para que o cachorro desfoque o que aconteceu no passado", afirma a coordenadora da Codevida, Leila Abreu.

De acordo com a Prefeitura de Santos, o dono do cachorro assinou um documento de doação e o animal permanecerá na Codevida. Ele não será sacrificado.
FONTE: Atribuna

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