sexta-feira, 3 de julho de 2015

Cão ajuda a amenizar sofrimento pela morte no Memorial de Santos


Três vezes por semana, um profissional baixinho comparece devidamente uniformizado para atender na sala dos velórios do Memorial Necrópole Ecumênica de Santos. Seu nome é Freud e sua função é aliviar a dor de quem passa pela perda. Seu atendimento é gratuito e para todos. O homônimo do pai da psicanálise é o cão da raça Schnauzer, de 11 anos, pioneiro no serviço de apoio a pessoas em velórios.
 A terapia começou faz um mês. No bolso da roupinha azul, que lembra o céu, Freud leva frases, como: “às vezes, o apoio e o conforto de que você precisa vêm de onde você menos espera”. De vez

em quando, também encaminha flores a quem mais lhe deu carinho.
A cena, que se repete a cada um de seus atendimentos, é curiosa. O cão funcionário chega devagar. Ao ser percebido, inicialmente causa estranheza – assim como qualquer pessoa desconhecida ao aparecer no velório de alguém. Mas em poucos segundos, algum dos “pacientes” se rende: se agacha e chama o pet para dar e receber carinho e, principalmente, conforto.
A dona do cãozinho é Victoria Girardelli, idealizadora do Dr. Auau – o segundo projeto do Brasil e o primeiro de Santos que utiliza cães no tratamento e recuperação de pessoas doentes, em hospitais. Ela conta que está cientificamente comprovada a melhora nos quadros de doenças quando há interação entre humanos e animais domésticos.
Endorfina
O motivo, segundo a psicóloga Ceres Faraco, diretora científica do Instituto Nacional de Saúde e Psicologia Animal (Inspa), é simples. O amor dispensado no afago ao bicho pode liberar no corpo humano dois tipos de hormônios: a ocitocina e a endorfina, substâncias que provocam relaxamento e prazer.
“Vários estudos tentam entender o que os animais fazem com as pessoas, que mobilizam tantos sentimentos. Mas é fato que, nesse momento, o cão pode deslocar o foco da dor e depressão e ajudar na situação de luto, para amenizar o sofrimento”, explica Faraco.
Pioneira
Sergio Lascane, gerente de Marketing do Memorial, conta que a iniciativa é pioneira no mundo. “A ideia surgiu com o nosso diretor-presidente, Pepe Altstut, que gosta muito de animais. E foi incrível. O cão entra discretamente e as pessoas imediatamente interagem. O impacto do luto diminui”, conta.
A família de Eliete Gouveia, professora de 46 anos que estava no velório do pai, aprovou a ideia. “Um animal sempre traz alegria. Por mais que a gente esteja no sofrimento, conseguimos parar de pensar um minuto nisso. Ele (o cão) só recebe carinho e é disso que a gente precisa. Só com o olhar, já comove”.
Por enquanto, Freud é parceiro do Memorial em Santos e faz visitas três vezes por semana, geralmente às segundas, quintas e sextas-feiras. A ideia é que outros cães, devidamente preparados, sejam inseridos no projeto.
Fonte: A Tribuna




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