terça-feira, 4 de março de 2014

Brasil investe oito mil milhões no Mundial


Luís Fernandes, vice-ministro do Desporto.

Um "investimento total de 26 mil milhões de reais, distribuído por estádios, mobilidade urbana, modernização de aeroportos e portos, infra-estruturas de telecomunicações e segurança" é quanto o Brasil vai gastar no Mundial, segundo o vice-ministro do Desporto, Luís Fernandes, cabendo "oito mil milhões de reais aos estádios". O dirigente reiterou a ideia de que será garantida a segurança durante a prova, contestando a ideia de que saúde e educação estejam a ser negligenciadas. "Nunca se investiu tanto nesses campos como neste período", referiu.
"A organização do Mundial é difícil em qualquer lugar do Mundo, mas temos registado aprendizagem útil tendo em vista os Jogos Olímpicos", concedeu. No caso do Brasil, cuja estrutura do governo é complexa, englobando âmbitos "federal, estadual, de municípios e ainda os parceiros privados", foi necessário corrigir vários aspectos, entre os quais a ausência governamental inicial no Comitê de Organização Local. Essa alteração ajudou na evolução do relacionamento com a FIFA e "foi determinante para evitar, por exemplo, que Curitiba deixasse de fazer parte da lista de cidades-sede".    

Referindo "um teto inicial até 32 mil milhões de reais", Fernandes queixou-se de "desinformação em certos setores da opinião pública, uma vez que o investimento não foi feito apenas para o Mundial, predominando a questão das infra-estruturas". Numa fase em que os estádios estão ficando prontos - "domingo será inaugurado o recinto de Manaus, até ao final do mês o mesmo vai acontecer com o de Cuiabá, em São Paulo estará pronto no mês de Abril e no começo de Maio será  em Curitiba" -, vários "eventos-teste serão realizados para verificação dos planos operacionais".

Luís Fernandes negou que o incêndio tenha afetado a estrutura do estádio em Cuiabá, situação que está documentada "em diversos estudos". Sobre a venda de bilhetes, o vice-ministro salientou que "a procura, situada nos 14 milhões, superou todos os recordes" e que, na primeira fase, 27% eram estrangeiros. "Na segunda fase os números devem mudar, uma vez que, nessa altura, já estavam definidos os grupos", acrescentou, indicando que "a expectativa de 600 mil turistas estrangeiros deverá ser ultrapassada". E, como os recintos foram construídos segundo o princípio de "arenas multiusos, não haverá o risco de ficarem sem aproveitamento depois do Mundial, mesmo nas áreas em que não servem grandes clubes". Nesse sentido, Fernandes reafirmou que "foi estudada a experiência do Europeu 2004 em Portugal com o objetivo de não se repetirem os erros e, embora a FIFA até preferisse 10 estádios, a aposta foi feita em 12 para que se criassem pólos regionais de desenvolvimento econômico".

Quanto à possibilidade de manifestações durante a competição, "isso não foi sequer um fator inibidor da procura de bilhetes" e Luís Fernandes separou duas questões: "uma é o direito democrático da população a manifestar-se, algo que faz parte da própria liberdade de expressão; outra diz respeito a grupos que aproveitaram para desencadear ações de vandalismo e violência, casos que tem merecido repúdio da opinião pública. O planeamento da segurança visa isolar quem procura o recurso à violência e podemos garantir a segurança do povo brasileiro, bem como de todos os que vão ao Mundial. Neste aspecto, a experiência da Taça das Confederações foi interessante, porque a escala de manifestações foi inesperada, o sistema de segurança foi testado ao limite e saiu-se bem", resumiu.

O responsável brasileiro afastou a necessidade de estabelecer acordos para impedir o aumento da taxa de criminalidade no Rio de Janeiro. "Há uns anos isso teria de fazer-se em áreas dominadas pelo narcotráfico, mas, com a criação de unidades de polícia pacificadora, foi possível libertar populações de regimes de terror e apoiá-las com políticas de âmbito social", disse.

Por Paulo Jorge Pereira

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