quinta-feira, 20 de junho de 2013

Vice-prefeito do Recife<< Bem-vinda a voz das ruas




Na presente década, iniciada com a assunção de Lula à presidência da República e o início da transição da ordem vigente a um novo projeto de nação, a possibilidade de expressão da vontade popular por meio de demonstrações de rua esteve relativamente amortecida. O volume de novas conquistas sociais progressivas e o crescimento econômico com expansão do emprego e valorização da massa salarial e a concretização de inúmeras bandeiras reivindicatórias alevantadas pelo movimento estudantil e outros segmentos condicionaram, naturalmente, a mobilização de rua a alcance relativamente restrito.
Verdade que assalariados estiveram nas ruas muitas vezes, liderados pelas centrais  sindicais; estudantes universitários e secundaristas, a convite da UNE, da UBES e entidades estaduais e municipais; moradores das periferias urbanas, arregimentados pela Conam e organizações de bairro e de luta pela moradia; trabalhadores rurais, pelo MST e sindicatos, idem – pugnando por suas bandeiras específicas articuladas com questões cruciais para o desenvolvimento do País, como a política de juros e demais fundamentos da política macroeconômica. Porém sem jamais atingirem o nível das mobilizações espontâneas verificado nos últimos dias, que se espraiam por todo o País.

Tirante atitudes irresponsáveis de grupos minoritários, a quase totalidade dos manifestantes expressa democraticamente sua insatisfação em relação aos preços das tarifas dos transportes urbanos e, de modo algo difuso, contra os elevados investimentos na construção dos estádios de futebol para a Copa do Mundo, espécie de senhas para outras reinvindicações, de cunho geral ou local, que também vêm à tona.

Que assim seja, pois na medida em que o caráter espontâneo e difuso do movimento dê lugar a um formato consciente e direcionado poderá fixá-lo como elemento novo na cena política nacional – fator de pressão pela aceleração das mudanças de maior envergadura, rumo ao alargamento da democracia e de mais conquistas sociais. E, assim, pesar decisivamente para uma assimetria favorável entre as forças que efetivamente batalham por essas transformações no confronto com as que resistem e desejam o retorno ao ultrapassado  modelo de financeirização da economia e de restrição de direitos.

Luciano Siqueira

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