quinta-feira, 21 de março de 2013

Encenação da Paixão de Cristo vira tradição familiar em Pernambuco

A encenação da Paixão de Cristo é uma tradição teatral em Pernambuco, com espetáculos profissionais e amadores sendo realizados em vários municípios do estado - a famosa montagem em Nova Jerusalém, criada pela família Pacheco, por exemplo, já tem mais de 40 anos de vida. Limoeiro, Tracunhaém, Verdejante, São Lourenço da Mata e Camaragibe são outras cidades que também realizam suas Paixões. Essa variedade acaba revelando uma profusão de atores que, ano a ano, recriam os últimos momentos da vida de um dos profetas do cristianismo. Do mesmo jeito que a narrativa é transmitida, há mais de dois mil anos, de geração em geração, ela é encenada por pais, filhos, sobrinhos e netos, em famílias que dedicam seu tempo para representar o conto religioso da maneira mais emocionante possível.
A produtora, atriz e jornalista Edivane Batista acredita que o povo pernambucano valoriza a história da vida de Jesus. "Em Pernambuco, tem gente que já nasce sonhando em fazer uma Paixão de Cristo. Muitas comunidades, muitos bairros têm sua própria encenação", afirma.



Michelline Torres no ensaio da Paixão de Cristo com a filha, Ana Clara (Foto: Priscila Miranda / G1)Mônica Vilarim e o filho, Yuri, que participam da Paixão de Cristo de Moreno, PE (Foto: Mônica Vilarim / Acervo Pessoal)
Michelline Torres no ensaio da Paixão de Cristo com a filha, a esq.
Ana Clara (Foto: Priscila Miranda / G1)
 ,   Mônica Vilarim e o filho, Yuri, que participam da
Paixão de Cristo de Moreno (Foto: Mônica
Vilarim / Acervo Pessoal)
                    
A atriz Michelline Torres participa de uma montagem recifense da Paixão de Cristo há 17 anos. Atualmente, ela interpreta duas personagens: a mulher do sermão e uma das convidadas na cena do bacanal de Herodes. Em 2007, nasceu sua filha, Ana Clara, que ainda bebê foi levada para participar da peça. “Desde um aninho ela participa do espetáculo da Paixão de Cristo do Recife e adora interpretar”, comenta Michelline. A personagem da menina é a de uma criança entregue nos braços de Jesus. “Ela participa quando Jesus fala ‘Deixai vir a mim as criancinhas’”, destaca a mãe.
Ana Clara, hoje com seis anos, explica como se sente ao entrar no palco da Paixão pela quinta vez. “Eu sei que nada vai dar errado, então eu fico calma”, garante a menina, confiante. Durante os ensaios da Paixão de Cristo do Recife, cuja temporada deste ano será de 27 a 31 de março, no Marco Zero da cidade, os atores voltam-se atentos para as explicações do veterano José Pimentel, que dirige o espetáculo e interpreta Jesus há quase 40 anos. “Existem muitos filhos da Paixão, das pessoas que interpretam e fazem os filhos aqui”, brinca o ator e diretor.
A neta dele, por exemplo, praticamente nasceu dentro do espetáculo. "Fiz a peça dos seis meses de vida até os 10 anos", lembra a jovem Bruna Pimentel, hoje na produção da Paixão. Para sair tudo nos conformes nos dias de apresentação, o elenco precisa ensaiar com antecedência. "São 10 ensaios e mais três ensaios gerais, com tudo organizado, já no Marco Zero", explica.


Mônica Vilarim é atriz há mais de 25 anos. Junto com o marido, Roberto Costa, e os dois filhos, Maria Eduarda e Yuri, a família encena há anos o espetáculo da Paixão na cidade de Moreno, Região Metropolitana do Recife. Este ano, apenas ela e o filho farão parte da apresentação. "Tive compromissos e não pude participar. E Maria Eduarda também, por causa dos estudos", explica Roberto.
Mônica comenta o significado para ela de atuar com os familiares, especialmente em trabalhos como esse. "A gente sempre participou e valoriza muito, porque é muito importante para a nossa cultura. Para quem tem família é ótimo, porque a gente está sempre junto", destaca. Ela faz a personagem Herodíades e Maria, irmã de Lázaro, na cena da ressurreição dele. Já Yuri faz figuração no espetáculo.
Fonte: g1.globo.com

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