sábado, 13 de janeiro de 2018

Escombros da esperança e os tijolos de reconstrução - Acompanhe teaser do longa HAITI, 12 DE JANEIRO




Um relato imprescindível ao meu tempo na data de 12 de janeiro. Uma data especial que deixou uma cicatriz na minha alma e no meu tempo. Há exatos oito anos, numa terça-feira, 12 de janeiro de 2010, acontecia uma catástrofe no Haiti, de magnitude 7.0, no horário de 6h53m10s, horário no Brasil (21h53m10s UTC).


Vitimou mais de 250 mil pessoas. Estive no Haiti em janeiro de 2011 para rodar Haiti, desembarcava em Porto Príncipe, capital do país. Iniciamos assim que chegamos a produção do documentário. Uma Realidade que soltava aos olhos. Um ano representava um dia depois do terremoto, dos 100% dos escombros apenas 5% tinha sido recolhido. Haviam corpos ainda embaixo dos escombros, experiência que marcou minha filmografia, não pela destruição, mas fundamentalmente pelas pessoas, pela vida dos haitianos e uma disposição enorme para viver. Nossa identidade é de pertencimento e construída no fluxo do tempo da nossa existência. Nunca vou esquecer o que vivi e vivo ainda nas memórias do meu tempo. Foi com o sentimento dos escombros da esperança.


Depois, ainda retornei quatro vezes ao país para concluir o filme. Em 2013, depois de ser exibido em Pernambuco, Paraíba, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul, finalmente voltei ao Haiti para projetar o filme no dia 26 de março de 2013. Com Haiti, em 12 de janeiro de 2010 minha carreira internacional se iniciava, não sabia que anos depois, estaria viajando a América Latina para compor o documentário: Operação Condor, verdade inconclusa.


Haiti tua história é bela! Primeira república negra a declarar independência em 1804, logo após a revolução francesa. Haiti, os meus sentimentos levo no peito pela tua reconstrução não só do concreto, mas de vidas humanas.


Lembrar de ti é lembrar-se do primeiro momento que tive essa ideia, esse sonho de fazer um filme sobre os escombros da esperança e os tijolos de reconstrução.


Termino o relato com a fala do poeta Carlos Drummond de Andrade: tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.

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