quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Será?- Idosa se arrepende de ter espancado cachorro em Cachoeiro após ser reconhecida pelo animal

O cachorro reconheceu a dona e abanou o rabo ao se aproximar de Cremilda da Silva Conceição Caetano, na manhã desta sexta-feira (19), durante depoimento na CPI de Maus-Tratos





O cachorro Carlos Ambrósio reencontrou na manhã desta sexta-feira (19), a dona Cremilda da Silva Conceição Caetano, de 61 anos, que o espancou com um pedaço de pau no último dia 28 de julho, no 
bairro Boa Vista, em Cachoeiro de Itapemirim. O animal reconheceu e abanou o rabo ao se aproximar da idosa no plenário da Câmara de Vereadores, durante a reunião da CPI de Maus-Tratos aos Animais da Assembleia Legislativa.


A reunião foi conduzida pela presidente da CPI, a deputada Janete de Sá (PMN), e pelo vice-presidente, o deputado Hércules Silveira (PMDB), e contou com a presença dos veterinários do
Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Cachoeiro, ONGs de proteção animal, Polícia Militar Ambiental, Polícia Civil, representantes de clínicas veterinárias de Cachoeiro e do veterinário Marcos Lesqueves e o biomédico que deu nome ao cachorro, Carlos Ambrósio.

O titular da Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo), Felipe Vivas foi o primeiro a falar. O delegado contou que a idosa foi conduzida até a delegacia no dia do crime para garantir sua integridade física. “Um policial levou o vídeo ao meu conhecimento, e como as pessoas estavam exaltadas, pedi que a Cremilda fosse conduzida até a delegacia, onde foi ouvida, assinou um Termo Circunstanciado (TC) e foi liberada”, explica.

O vídeo em que a idosa aparece espancado o cachorro foi gravado e postado por um vizinho e já teve mais de 17 milhões de visualizações. “O caso tomou grande proporção por ter sido filmado. As denúncias de maus-tratos em Cachoeiro são poucas. De janeiro até agora, encontramos na delegacia 2.400 ocorrências, sendo somente 10 dessas de maus-tratos com animais e duas são desse caso especifico”, explica Felipe.


O cachorro Carlos Ambrósio foi levado ao plenário da Câmara durante a reunião 
da CPI dos Maus-Tratos aos Animais Foto: ​Alissandra Mendes

O veterinário Marcos Lesqueves, que cuida do cachorro em uma clínica particular da cidade, foi o segundo a ser ouvido. Ele contou que ao tomar conhecimento do vídeo, entrou em contato com os veterinários do CCZ pedindo para cuidar do animal.

“Quando vi o vídeo, liguei imediatamente para o CCZ e pedi para trazerem o cachorro, que tinha o nome de ‘Campeão’, para cuidarmos na clínica, já que o órgão não possui estrutura necessária para atender o caso. Ele foi levado até lá pelo veículo do CCZ”, comentou.

Segundo Lesqueves, o caso do Ambrósio não é isolado. “Recebo em minha clínica de um a três cachorros por semana em situação semelhante ou pior. No caso do Ambrósio foi diferente, por ter sido filmado o espancamento. Quando o levei para clínica, até pedi no CCZ que não fosse divulgado o local onde estava, para preservar o animal”, continua.

Marcos ressaltou que o cachorro chegou debilitado ao local. “Ele estava com doença de carrapato e com uma condição corporal não aceitável. Ele fez os exames laboratoriais, cedidos pelo Dr. Carlos Ambrósio, os exames de fundo de olho, feitos pelo Dr. Paulo Ney Viana, e ganhou um plano de saúde para custear o tratamento. Não estamos pedindo ou recebendo doações, todo o atendimento foi gratuito. O Ambrósio merece ir para uma casa que tenha carinho e amor, porque ele é um cachorro tranquilo e não demonstra em momento nenhum, nem mesmo com dores, ser agressivo”, ressalta o veterinário.

Carlos Ambrósio chegou à clínica com trauma-crânio-encefálico, com perfuração em um dos olhos e estava inconsciente. Ainda, de acordo com o veterinário, ele está em tratamento no olho afetado e por perder a visão. A medicação está sendo ajustada ao tratamento e as melhoras do animal são visíveis.

Reencontro com a dona
Carlos Ambrósio reconheceu a dona que o espancou e abanou o rabo ao reencontrar Cremilda
O cachorro Carlos Ambrósio reconheceu a dona que o agrediu com um pedaço de pau e abanou o rabo ao reencontrar Cremilda

Foto: ​Alessandra Mendes

Por causa de boatos espalhados na internet de que o cachorro apresentado não seria o mesmo que foi espancado pelo idosa, foi feita uma acareação entre Ambrósio e Cremilda. Ao se aproximar da dona, o cachorro abanou o rabo, demonstrando reconhecer a agressora. A idosa também reconheceu o cachorro como sendo seu e chorando, disse estar arrependida.

“Eu não posso ter mais esse cachorro. Ele me causou muitos problemas. Ele persegue motos e as crianças do bairro. Estou doando, não quero mais ficar com ele. As pessoas de onde moro me julgam e falam de mim por causa das atitudes do cachorro. Um vizinho jogou o carro em cima de mim, mas disse que a intenção não era me atingir, e sim matar o cachorro”, conta a idosa.

Durante o depoimento, Cremilda entrou em contradição algumas vezes. Alegando problemas psiquiátricos, ela disse que perdeu a cabeça no dia da agressão. “Esse cachorro está comigo há 12 anos, mas sempre foi manso. Por causa de ficar correndo atrás das pessoas, pedi ao meu marido para prendê-lo na corrente. Naquele dia, perdi a cabeça. Peguei um pau, que não tinha pregos igual estão falando, e bati. Me arrependi muito e dou graças a Deus que ele não morreu”, completa. Os outros dois cachorros de Cremilda estão no CCZ.

Pedido de interdição de posse
A deputada Janete de Sá (PMN) disse que entregará os documentos registrados pela CPI no Ministério Público de Cachoeiro pedindo a interdição de posse de Cremilda. “No dia da agressão, familiares dela estavam em casa e não impediram o ato. Então, vamos recomendar a interdição de posse de animais dela e dos familiares. Peço aos veterinários do CCZ, responsáveis por escolher quem ficará com o cachorro que tenham critérios na escolha e não o deixe ficar na região próximo ao local onde aconteceu a agressão”, frisa.

Além disso, a CPI vai recomendar ao MP que a idosa preste serviços comunitários nas ONGs de proteção dos animais da cidade. “A Justiça vai decidir a pena que ela merece. Isso é algo grave. As pessoas precisam denunciar esse tipo de crime”, completa o deputado Hércules Silveira (PMDB).

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