quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Setor canavieiro prepara proposta para apresentar a Semas



Rapidez no processo de criação da reserva ambiental por parte do governo estadual, sem diálogo com a população das cinco cidades envolvidas no projeto, e a falta de estudos técnicos de impactos revoltam agricultores que sofrerão proibições com a medida

Nesta quinta-feira (06), produtores de cana de cinco cidades da Mata Norte, onde será criada pelo Estado uma Área de Proteção Ambiental, reúnem-se na Associação dos Produtores de Cana de Pernambuco (AFCP). O objetivo é elaborar uma proposta contra algumas exigências do governo estadual com a criação da reserva. O setor canavieiro é favorável à medida, mas é contrário a proibição de técnicas tradicionais do cultivo da cana-de-açúcar e da banana nas áreas onde sempre houve. Na segunda-feira (10), a proposta será entregue ao secretário executivo da Secretaria de Meio Ambiente (Semas), Hélvio Polito.

A primeira exigência dos agricultores é que seja ampliado o prazo para o debate público sobre a criação da Área de Proteção Ambiental e dos dois Refúgios de Vida Silvestre (RVS). O setor canavieiro critica a postura do governo que, segundo ele, não estabeleceu um tempo adequado para discutir com a população sobre a criação da reserva ambiental e sobre os impactos da medida na vida dessa população das cidades de Timbaúba, Aliança, São Vicente Ferrer, Macaparana e de Vicência.

A APA integrará uma área de 33,8 mil hectares. “Nessas áreas muita coisa vai mudar, inclusive, pode haver proibição do uso de técnicas dos tratos culturais da cana e da banana, inviabilizando a produção nestes locais”, critica Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP. O dirigente diz que é preciso haver mais tempos para que a proposta de criação da reserva seja debatida melhor entre a população e os gestores dessas cidades. Lima conta que apenas um dos cinco prefeitos sabia da criação da APA e dos RVS.

Até agora só foi realizada uma audiência pública sobre a questão – local onde os demais prefeitos tiveram informações sobre a reserva ambiental. A consulta pública ocorreu nesta quarta-feira (5), no engenho Xinxa, em Timbaúba. Lá, 200 agricultores reclamaram bastante da criação da APA e da rapidez com que o processo está indo, sem tempo maior de diálogo com a população das áreas afetadas pela reserva. Também reclamaram da falta de apresentação de estudos técnicos necessários para evitar prejuízos maiores para esta população rural. “Os prefeitos das cidades de Timbauba, Macaparana e São Vicente compareceram e também se mostraram insatisfeitos com a medida”, pontua Lima.

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