segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

De olho no Brasil: Brasil tem um milhão de oportunidades de emprego - anuncia jornal português

Veja matéria completa publicada nesta segunda-feira no Sapo Portugal


    " O Brasil vai precisar de um milhão de talentos até ao final do ano. Saiba como vencer os obstáculos e conseguir agarrar um destes empregos. No topo da carreira, os salários podem chegar aos 200 mil euros."

"O país em que os empregos correm atrás das pessoas". Será que a manchete de um jornal brasileiro, publicada há dois anos, ainda faz sentido? Haverá oportunidades para os portugueses nos cerca de milhão de empregos que serão criados no país até ao final do ano? Continua a existir um défice de 160 mil engenheiros a que as escolas brasileiras não conseguem responder. O país está transformado num estaleiro de obras por causa do Mundial de Futebol, do plano ambicioso de infra-estruturas da presidente Dilma e da aproximação dos Jogos Olímpicos. O Brasil continua a ser um dos campeões de proteccionismo. Mas o "turbilhão económico", o mundo de oportunidades onde tudo pode acontecer, são tentações irresistíveis para quem quer uma carreira de futuro.

"O Brasil é muito bom quando se consegue vencer. Quem quer mesmo vir, deve tentar a sua sorte", aconselha Patrícia Espírito Santo. A directora de recursos humanos da General Brasil recorda que a taxa de desemprego é muito baixa (5,5%) e que se vive uma situação de quase pleno emprego em São Paulo e no Rio de Janeiro. E os salários compensam. Um director técnico na área da construção ganha 200 mil euros por ano, mais pacote de incentivos.

Mas é preciso fazer contas porque o custo de vida é mais alto que em Portugal e a doença crónica da inflação ainda não foi controlada. São Paulo tem a pizza mais cara do mundo, uma melancia custa 12 euros e o colégio de uma criança facilmente chega aos mil euros por mês. Mas o que pesa mais é o custo da habitação: uma casa num bairro seguro tem uma renda média de 2.500 euros .

Carla Rebelo, directora da Hays Brasil, acredita que só agora o país está a perceber que não tem quadros suficientes para tudo o que há para fazer (ver entrevista na pág.5). Para a autora do livro "O Que Saber Para Viver e Trabalhar no Brasil", este será o ano em que as empresas se vão aperceber da urgência de talento, o que irá criar mais oportunidades para os portugueses.

Sectores como a agro-indústria, construção, engenharia e infra-estrutura de grandes obras, logística, saúde e o sector do petróleo são as áreas mais sedentas de talento. Mas, à partida os empresários não pensam espontaneamente num quadro português, até porque conseguir um visto de trabalho para um estrangeiro continua a ser muito caro e lento. E a questão do reconhecimento das competências é um processo que ainda não está agilizado.

Mas esqueça o cenário do El Dorado e nunca parta à aventura porque a coisa pode não correr bem. "Há oportunidades de trabalho, mas é mais difícil do que só chegar e arriscar, porque o mercado está a abrandar", sublinha Teresa Dias Coelho da Deloitte. Há casos de portugueses que tiveram que regressar ao fim de dois meses.

Uma boa forma de entrar no mercado de trabalho é contactar uma das 120 empresas portuguesas que operam no país (ver texto ao lado). Só a Galp Energia, que está envolvida na exploração da reserva do pré-sal, recruta constantemente para o Brasil. As áreas técnicas (Geociências/Engenharias) "deverão continuar a ser as áreas privilegiadas de recrutamento", sublinha uma fonte oficial. Actualmente, a empresa já tem 77 colaboradores portugueses.


Mas há quem fale de uma redução das oportunidades. "O Brasil está muito instável e o mercado arrefeceu muito em termos de alternativas para os portugueses ", diz Nuno Rebelo de Sousa. Para o responsável do Desenvolvimento Estratégico da EDP no Brasil, este "não é um mercado natural, nem onde é fácil vingar". E o investimento estrangeiro está a começar a voltar aos Estados Unidos e à Europa, acrescenta Nuno Rebelo de Sousa. Em Wall Street já se coloca o Brasil no grupo dos países a que chamam os ‘Fragile - 5', alerta um articulista da Folha de São Paulo."

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