sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Seca reduz a colheita de cana em Pernambuco


A moagem empregará 20 mil homens a menos. A colheita da cana-de-açúcar deve ter uma redução de 21% devido à seca. A expectativa é que a atual safra (2012/2013) alcance 13,7 milhões de toneladas, contra as 17,4 milhões de toneladas da anterior (2011/2012). A menor quantidade da planta já fez a atual moagem precisar de cerca de 20 mil homens a menos, chegando a ocupar cerca de 80 mil pessoas. Período de maior desemprego na região canavieira, a entressafra vai começar mais cedo nesta moagem entre dezembro e janeiro.

Geralmente, a entressafra ocorre a partir de fevereiro ou março na maioria das empresas indo até agosto ou setembro. Nos meses da entressafra, o emprego diminui muito nas usinas, porque não são necessários homens para cortar a cana-de-açúcar, o que ocorre somente durante a moagem.

“Já tem empresa parando este mês. É o desemprego chegando mais cedo, quando os trabalhadores estão numa situação difícil, porque perderam quase tudo que plantaram. A agricultura familiar também complementa a falta de salário desse período”, lamentou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Nazaré da Mata, Tracunhaém e Buenos Aires, José Pereira da Silva. As três cidades estão na Mata Norte.

Segundo ele, a situação só não é pior porque as empresas da região compraram as canas da Usina Cruangi, que não moeu nesta safra. A aquisição compensou as perdas que várias usinas da região tiveram na colheita. Nas três cidades citadas acima, o sindicato dos trabalhadores tem cadastrado 4,5 mil canavieiros e 2 mil homens que tiram o seu sustento da agricultura familiar. “Uma parte dos canavieiros planta culturas de subsistência num sítio de um amigo ou vizinho”, disse.

De acordo com o Sindaçúcar, a expectativa é que a moagem na Mata Norte acabe até 15 de janeiro. “Não dá para mensurar agora o tamanho do desemprego na entressafra”, afirmou o presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. Em algumas localidades daquela região, as perdas chegaram a 35%.

“Essa seca está entre as três mais severas desde 1989. Em algumas áreas da Mata Sul, as perdas foram de 20%”, explicou Renato Cunha. A Mata Sul apresenta um índice pluviométrico maior e, geralmente, não sofre perda de safra, quando a estiagem é mais branda.

A perda da planta está ligada também à má distribuição das chuvas. Os meses de maior crescimento da cana-de-açúcar são abril, maio, junho e julho. Os números do Sindaçúcar indicam que em algumas localidades da Zona da Mata em abril deste ano foi registrado 14 milímetros de índice pluviométrico, enquanto no mesmo mês de 2011 esse total ficou em 200 milímetros.

Na última segunda-feira, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, se comprometeu, a adotar medidas que aumentem a competitividade do setor sucroalcooleiro, numa reunião que ocorreu na sede da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco. Geralmente, o setor emprega cerca de 100 mil pessoas numa safra sem estiagem.

“Vamos trabalhar para sensibilizar as diversas áreas do governo federal para trazer respostas concretas para as demandas apresentadas aqui”, garantiu. Ele acrescentou que a União pode fazer parcerias com o Estado para minimizar os efeitos da seca na atividade.

Fonte: Jornal do Commercio

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