segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Falando Francamente o acadêmico de direito João Guilherme Guerra Cavalcanti "HOSPITAL NÃO É REMÉDIO PARA SAÚDE PÚBLICA"


Quando se pretende solucionar um problema, a primeira postura que se deve adotar é investigar as causas que dão origem a ele, para, a partir de então, canalizar esforços na tentativa de eliminá-las. Agindo assim, aufere-se um resultado positivo, porquanto junto com as suas causas, elimina-se também o problema. Do contrário, caso não seja identificada a origem do infortúnio e, posteriormente, não sejam as energias orientadas no sentido de contê-la, qualquer esforço vai ser movido em vão, não se obtendo, pois, o resultado desejado.
Na maioria das vezes, porém, os esforços são orientados para solucionar as conseqüências do problema, seja por falta de conhecimento a respeito da questão, seja porque tal medida traz resultados mais rápidos e mais visíveis aos olhos dos quem sofre com o problema. Frise-se, no entanto, que tais resultados, embora mais rápidos e mais visíveis, não são verdadeiramente eficazes, mas apenas aparentes e, por isso, não surtem o efeito desejado, qual seja, a resolução do problema.
Apesar do exposto, procura-se, com mais freqüência, a solução das conseqüências do problema, porque, para tal, exige-se menos esforço imediato. Além disso, essa medida traz resultados, embora aparentes, mais rápidos, ludibriando aqueles que sofrem na pele com o problema, os quais passam a ser devotos de quem conseguiu ditos resultados.
Aplicando na prática a teoria acima exposta, quando o problema em questão é saúde pública, especificamente no Município de Carpina, para seguir a regra faz-se necessário identificar suas causas, visto que eliminando-as, elimina-se também o problema.
Pois bem, não é preciso uma análise profunda para afirmar que quem mais necessita dos serviços hospitalares são as pessoas mais carentes, ou seja, as pessoas que não possuem muitos conhecimentos a respeito de como se deve proceder no dia-a-dia para evitar o contágio de certas viroses e verminoses. Essas pessoas não possuem tais conhecimentos porque não têm condições de custear uma educação de qualidade, o que deveria ser provido pelo Poder Público, ou seja, pela Prefeitura, mas, infelizmente, não é.
Desprovidas dos conhecimentos em questão, elas não têm o hábito de pôr em prática as regras básicas de higiene, como o uso do lavabo antes das refeições, o uso de calçados, a profilaxia dentária, a conservação e limpeza dos alimentos e dos cômodos da casa etc.
Junto com a causa acima relatada, facilmente se identifica a falta de saneamento básico da Municipalidade, a qual não constrói esgotos suficientes para comportar todo o dejeto humano despejado pela população local e não instala, nos locais estratégicos, recipientes destinados ao lixo, que é jogado diretamente nas ruas, em contato direto com o solo e a céu aberto. Tal evidência é a causa direta do aumento do número de roedores e insetos, transmissores potenciais de doenças que atacam, principalmente, quem não possui o conhecimento acima mencionado para se proteger das mesmas. Ademais, há, ainda, a agressão ao meio ambiente, que, prejudicado, prejudica a saúde da população.
Resolvendo-se as questões expostas, ou seja, investindo em políticas de conscientização da população a respeito da necessidade de higiene básica, melhorando o ensino público, de acesso das populações mais carentes de recursos financeiros, e direcionando verbas para a construção de esgotos e instalação de lixeiras de coleta seletiva, resolver-se-iam as causas que mais contribuem para a piora da saúde pública, posto que, dessa maneira, as pessoas estariam prevenidas de doenças inadmissíveis para a medicina moderna.
 Tais medidas, por serem efetivamente eficazes, demandam um investimento mais consistente e trazem resultados apenas a longo prazo, o que significa menos dinheiro a disposição do prefeito e menos impacto imediato para os pretensos eleitores dele. Além disso, na maioria das vezes, o interesse maior do político é manter-se no poder, diante do que é mais interessante para ele que o problema não seja efetivamente resolvido e, assim, a população continue dependente dele.
Assim sendo, confunde-se saúde pública com postos de saúde e remédios, medidas que são mais rapidamente percebidas, mormente por quem não tem conhecimentos de políticas públicas, o que resulta em créditos para o político e, conseqüentemente, em votos, bem de maior valia para quem faz do público o particular.
Não se está a defender que a construção de hospitais e o fornecimento de medicamentos não são necessários. O que não se pode admitir, no entanto, é que essas medidas sejam consideradas prioritárias a despeito de a real causa do problema chamado Saúde ser saneamento básico e educação.
Ora, se os problemas de saúde que mais demandam atendimento médico são problemas que poderiam ser prevenidos, excluindo a necessidade de remediá-los, se prevenidos fossem não congestionariam a estrutura hospitalar, que seria utilizada unicamente para o atendimento de demandas verdadeiramente urgentes.
Observe-se, ainda, que mesmo estando o poder direcionado para o fornecimento de medicamentos e para o aprimoramento das redes hospitalares e que mesmo estando o poder a afirmar que a saúde de carpina ‘‘é dez’’, isso não é percebido na realidade do povo, que está carente de saúde pública em todos os sentidos.
Saliente-se, também, que quanto as necessidades de se investir em saneamento básico, mesmo estando os vereadores a solicitarem, constantemente, do Prefeito uma atenção especial, não há nenhuma resposta por parte dele, que se mantém omisso.
Infelizmente, como já foi mencionado, o interesse maior daquele que poderia resolver o problema é manter-se no poder e, para isso, melhor é resolver as conseqüências dos problemas, as quais sempre existirão enquanto não se atacarem suas causas, e, conseqüentemente, manter a população sob seu domínio.
O que não se pode esquecer, porém, é que o Político existe PARA SERVIR AO POVO e NÃO PARA SE SERVIR DO POVO, como ensina o ensina o velho adágio.
João Guilherme Guerra Cavalcanti.

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