domingo, 4 de maio de 2014

Uso da máquina< Padre Jorge, prefeito de Iati: “Eu também fui tentado ao pecado. Fui chamado ao Palácio”

Na foto acima, prefeito Felipe Porto, do DEM, fala a Armando e João: "Não sou mercadoria"


Prefeito recebeu proposta de recursos públicos para deixar apoio a Armando Monteiro. Já o gestor de Canhotinho, do DEM, aderiu ao petebista com discurso duro: “Não sou mercadoria, não me vendo”

Garanhuns – Prefeitos e lideranças do Agreste, reunidas neste domingo (4), em Garanhuns, fizeram questão de explicitar para uma plateia de mais de 400 lideranças da região como é que o Governo de Pernambuco tem sido utilizado para beneficiar, com recursos públicos, o candidato oficial na sucessão estadual. Segundo eles, os prefeitos pernambucanos têm sido chamados para reuniões com o objetivo claro de cooptação. São oferecidos recursos para obras e investimentos nos municípios. Em troca, cobra-se o apoio a Paulo Câmara.

“Eu fui também tentado ao pecado (aplausos). Fui chamado ao Palácio e disseram: ‘Padre, as máquinas, os carros-pipa que estão lá (no município), vão tudo pedir de volta’. Mas eu disse: ‘Eu não posso ser infiel a quem foi fiel comigo todo o tempo. Então, em nome do povo de Iati e do Agreste, declaro nosso apoio a Armando, ao nosso futuro governador de Pernambuco”, revelou publicamente o padre Jorge de Melo Elias, prefeito do município de Iati.

“E quero parabeniza-lo, senador, por todo o trabalho que está realizando por Pernambuco e pelo Brasil. A gente fala com o pessoal do comércio e tenho certeza, Armando, do apoio de todo o comércio do Agreste Meridional ao senhor”, acrescentou o padre prefeito.

Presente ao evento para reafirmar seu apoio a Armando, o prefeito de Canhotinho, Felipe Porto, que é do DEM, foi um dos mais enfáticos, condenando o uso eleitoral da máquina pública: “O pessoal do governo do Estado tem procurado os prefeitos oferecendo dinheiro, oferecendo recursos dos cofres do governo do Estado com o intuito de o prefeito passar pro lado do governador. Mas, falo como prefeito de Canhotinho, não me vendo, não tenho preço, não sou mercadoria”, disse Porto. “Estou com o senador Armando Monteiro porque sei que é o melhor pra Pernambuco. Ele não é apadrinhado de ninguém. Armando tem um nome por si só, todo mundo sabe o trabalho dele. João Paulo tem história, foi o melhor prefeito do Recife”, ressaltou.

Anfitrião do encontro, o prefeito de Garanhuns, Izaias Régis (PTB), tratou como desespero esse processo de cooptação com uso de dinheiro público, inclusive da exibição de prefeitos e vereadores como troféus:. “Eles estão desesperados. Chegaram aqui neste hotel, na semana passada, na quinta-feira, ficaram aqui hospedados mandando oferecer vantagens. Foram a Caetés, ao nosso prefeito Armando Duarte (PTB), prometer a ele o que não podem dar. Armando Duarte disse não. Aí chama outro prefeito, chama o vereador para bater uma foto, prometendo fazer um hospital municipal em Jucati, mas Pernambuco não pode e não deve conviver com esse tipo de política. Nós temos que mudar. Eles estão dizendo que vão fazer a nova política, mas por trás estão fazendo a velha política”.

Também presentes no evento, o deputado estadual Silvio Costa Filho e o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco Romário Dias se somaram ao coro dos críticos às práticas de cooptação. “A gente aqui não está querendo comprar a consciência de ninguém. O lado de lá é que está desesperado. Mas quando o povo quer, não tem jeito”, afirmou Silvio. “Eles sabem que Dr. Miguel Arraes, onde ele estiver, não daria guarida ao que está acontecendo em Pernambuco, não. O que está acontecendo em Pernambuco é o toma lá, dá cá”, registrou Romário.

Ao final do evento, o senador Armando Monteiro cobrou que todos os municípios de Pernambuco recebam o apoio que está sendo dado apenas aos prefeitos do PTB: “Não nos iludamos, essa é uma luta dura. Já deram aí demonstrações de como irão atuar nesta eleição. Eu falei numa bolsa-eleição, tinha apenas o FEM e agora tem o ‘VEM’. Mas não importa. O que precisamos saber é, se há dinheiro para dar uma assistência extraordinária aos prefeitos do PTB, por que não conceder aos outros? Por que premiar só os infiéis?”.
  (crédito das fotos: Bernardo Soares/Divulgação)
 Armando, Pedro Eugênio e João Paulo ouvem o padre Jorge: "Também fui tentado ao pecado. Fui chamado ao Palácio"

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